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milongas
Comments: Terça-feira, Outubro 30, 2007

Paranoid Park de Gus Van Sant



" Ele filma muito! " Foi tudo o que conseguimos dizer após a sessão. O silêncio foi a única possibilidade.
Estávamos diantes de um filme de mestre, de uma fotografia de mestre e de um adolescente com sentimento de culpa nos EUA.
São duas horas de contemplação e imersão numa mente confusa. Só isso. Bom filme.


12:08 PM

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Le Voyage du Ballon Rouge de Hou Hsiao-Hsien






Não acontece nada, ninguém é herói ou heroina, não tem conflito, pontos de virada, tragédias, final feliz, um evento histórico, efeitos especiais ou realismo fantástico. Previsível considerando que estamos diantes de uma produção francesa dirigida por um artista chinês. É o retrato da família francesa, sob a ótica oriental. O filme conta como é viver em Paris hoje com muita delicadeza e sutileza. Investiga relações que tendem a ser conflituosas. Entre vizinho e vizinha, babá e a criança, a mãe moderna e o filho, a imigrante chinesa com a cidade luz, a mãe com a filha que mora longe, o ex marido distante e a ex mulher quase histérica. \

Passei pelas vidas de Suzanne , que prepara seu próximo espetáculo, precisa resolver problemas com o seu vizinho, sonha com a volta da filha para Paris e mora sozinha com Simon, seu filho de sete anos. Simon tem sete anos, é um típico garoto Europeu, já tem chave de casa, conhece os caminhos, carrega um ar de adulto e responde as perguntas da mãe no mesmo tom e com o mesmo conhecimento de causa. Ele precisa de uma babá, pois sua mãe não consegue mais administrar o tempo. Song é a escolhida, uma moça oriental estudante de cinema que aproveita os momentos de tranquilidade na casa para trabalhar num novo curta metragem sobre um balão vermelho que passeia por Paris. Simon estabelece uma bonita relação com a imagem do balão.

É muito prazeroso olhar para tela e ver planos tão bem trabalhados, o cuidado com o elemento vermelho em todos os planos do filme, a não percepção dos cortes e luz amarela que contrasta com o vermelho. Uma amiga me disse que um crítico disse que é um crime esse filme não ser comercializado no Brasil. Não há como discordar.

11:59 AM

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Cáotica Ana de Julio Medem



A grande decepção da mostra a meu ver. Sou apaixonada pelo cinema espanhol (um desvio, reconheço), e gosto especialmente dos filmes anteriores de Julio Medem. Os amantes do círculo polar e Lucia e o Sexo. Ambos se apoiam nos problemas psicológicos dos amantes e se utilizam de alguma fantasia e impossibilidade para contar a história. Os roteiros são belos e amarrados. Torcemos pelo encontro e pela recuperação pessoal de cada personagem.

Em Caótica Ana o tema permanece próximo aos outros filmes. Ana é uma artista de 22 anos, que vive em uma caverna no litoral da Espanha, junto ao seu pai. Foi ele quem lhe ensinou tudo que sabe. Um dia, uma mecenas de Madrid se encanta pelo trabalho de Ana e a convida a viver com ela e outros jovens artistas numa espécie de convívio de artistas jovens e livres das mais diversas personalidades. Ana descobre a amizade com Linda e o amor com Said, um árabe que transforma a sua vida e o rumo do filme, que por enquanto ia bem. Aí os problemas começam. Sessões de hipnose, acontecimentos sem nexo algum, personagens fracos e problemas de narrativa passam a incomodar, até chegar ao extremo, que infelizmente não posso contar. Resumindo, achei o filme péssimo e como não há essa opção na cédula de votação, optei pelo 1, ruim.
Ainda confio em Julio Medem e aguardo o próximo filme. Um diretor que concebeu Lucia e o Sexo pode errar um vez... Se alguém assistiu e leu esse blog favor comentar.

11:11 AM

Comments: Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Junky clip no youtube

Fazendo o caminho contrário.
Eu sempre fui fã da banda Junky Clan, pelo som, pelas letras, pela atitude e pela carinho excessivo que tenho pelos membros da banda.
Ontem coloquei no Youtube o primeiro e único video clip da banda que eu editei alguns anos atrás quando mal mexia no avid e nunca tinha aberto o final cut. O tempo passou, a banda acabou e a amizade se fortaleceu.

Assistam: http://www.youtube.com/watch?v=ddIDcvAwhAA

E leiam: http://homemcinza.blogspot.com/
O blog do Xarlie, o cara escreve com uma facilidade invejável. É o que me parece.

12:31 PM

Comments: Terça-feira, Outubro 23, 2007
Sexta-feira começou a Mostra de Cinema de São Paulo. O clube do óculos, cinéfilos e similares estavam eufóricos. Lembre-se, me incluo nesse grupo. O Zé Simão, disse que serve pra ficar duas horas na fila e mais duas horas ansioso para o filme acabar. Em determinadas sessões é exatamente o que acontece. Mas nós, amantes da sétima arte, não nos importamos e gostamos da tortura. Nas filas encontramos amigos, colegas de trabalho, futuros parceiros de projetos que nunca serão concluidos, atores e diretores ansiosos pelo sua opinião depois do filme e similares. A gente gosta. É correria, cansa, mas faz parte do ofício. O preço é o único quesito verdadeiramente revoltante. Se você é uma pessoa trabalhadora e honesta, não estuda portanto não tem carteirinha de estudante, obviamente, apaixonada por cinema e deseja assistir a dois filmes por dia vai gastar em ingressos R$ 192,00 , isso porque são 13 dias de Mostra e R$ 16,00 o custo de cada ingresso.

Eu, como uma cinéfila disciplinada já assisti a cinco filmes desde o ínicio da mostra.
Na sexta-feira assisti na sequência o "Control", sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy Division. Filme muito bem fotografado, em cinemascope, colado no ator que em nenhum momento deixa a desejar. A relação dele com a esposa é um tanto demasiado e desliza no final. Mas no meu papelzinho na mostra votei no número 4, ou seja, muito bom.


Na sequência "Rolling Stones, Sympathy for the Devil" do Godard. Gostei muito e votei ótimo, 5. A gente passa o filme ansiando por ouvir a música inteira e Godard nos dá de presente na última cena, fora de sincronia. Imagem e Som completamente desassociados, um filme de performance, cheio de informações desconexas, sufocante e levemente atordoante.


No sábado a maratona foi mais exautiva.
Assisti ao " Do Outro Lado" do diretor, ator e autor Faith Akin. Muito bom, uma viagem cinematográfica por Istambul, os dogmas religiosos, as lutas de resistência, e as relações interpessoais. Além de tratar com destreza do desencontro. Os momentos filmados na casa de prostituição são antológicos e aquelas imagens ficarão guardadas comigo como referência se um dia eu for tratar desse tema. Mesmo sabendo que não terei acesso a elas, a memória me salva.
Em seguida corri pra outra sala e fui assistir ao filme " Quem sabe?" do brasileiro, Paulo de Tarso Disca. Fui a convite de uma das atrizes do filme e muito amiga, Alice Giordano. Linda, talentosa, estudiosa. Sei que se preparou de todo o coração para o personagem e está impresso na tela. Torço por ela sempre e sei que vai longe. Sua coragem, intuição e carinho pela vida serão seus guias.
Na sequência assisti ao originalíssimo " Ainda Orangotangos" de Gustavo Spolidoro, baseado na obra de Paulo Scott. Espero que esse filme entre em cartaz num futuro próximo. É ambicioso, bem atuado, divertido e ainda nos apresenta a Porto Alegre, uma cidade que vêm se revelando extremamente interessante. Nunca estive lá mas tenho lido livros de autores gaúchos e alguns filmes dizem muito.
Visitem o site e descubram , por exemplo, que o filme é um único plano sequência. Foram seis dias de filmagem e o filme é o plano do segundo dia. E vejam os vídeos de bastidores.
http://www.aindaorangotangos.com/


4:40 PM

Comments: Quarta-feira, Outubro 10, 2007
EXPECTATIVA

Semana passada me propus a falar de Expectativas.
Eu estava radiante de alegria com a possibilidade de passar quatro dias na praia. Uma grande expectativa para o feriado, sol, amigos, praia, bicicleta, família, esquecer os problemas da cidade grande, abandonar o cotidiano de arrumar a casa, ir no yoga, no trabalho, e porque não no cinema. E viver coisas com as quais me identifico mais, natureza, pé no chão, areia. Ao contrário de muitas pessoas que eu conheço, eu adoro areia, não tenho nenhum problemas com elas habitando o meu corpo. Sejam elas as mais úmidas ou grudentas ou aquelas fininhas e brancas que fazer um barulho que dá arrepio e sensibilidade nos dentes. Adoro ficar melada de água salgada e não tenho problema algum com protetor solar, passo o dia ás voltas com eles, do rosto e do corpo. Desde janeiro não ia á praia, e isso estava me deixando deprimida. Imaginem o tamanho da minha expectativa?
Gosto do sentido real de estar na praia, correr, jogar frescobol com amigos, tomar água de côco, deitar na canga e ler um jornal, e no fim da tarde descansar na sombra de cansativo dia. Tenho um grande amigo, admirável pelo coragem de blasfemar tamanho absurdo: " Gostaria que todas as praias fossem asfaltadas". Não vou entrar no mérito ecólogico - ambiental...
Na quinta-feira eu já estava com as malinhas prontas, desenfurnei vestidos de chita, cangas, biquinis, meu frescobol, escolhi um livro adequado, peguei minhas caixas de som. Tudo preparado.
Nenhum problema. Fui, cheguei, objetivo alcançado, tudo de acordo com a minha expectativa.
Agora começamos a refletir. O que teria se passado na minha cabeça caso a minha expectativa fosse frustada.
Se eu tivesse que ficar no trabalho, ou se eu precisasse ir pra Guará por motivos incontroláveis, ou se eu ficasse doente, ou perdesse a carona , ou, ou, ou... Muitas coisas poderiam acorrer e frustar a minha expectativa.
Não vou dizer aqui quais seriam as minhas reações, pouco importa. Digo o que acho importante. Jogo de cintura. flexibilidade e capacidade de adaptação ás situações da vida. Citei um coisa banal, uma viagem á praia, porém analogicamente coisas sérias podem acontecer. E suas expectivas serem frustadas para sempre.
O importante é darmos menos importância a essa palavra. E deixar as coisas acontecerem, o Universo costuma ser mais inteligente que nós mesmos. Portanto relaxa.
Outro dia um amigo me perguntou com ironia. Você assistiu ao " Segredo", certo? Acredita na Lei da Atração? Respondi provocativamente já sabendo que geraria discussão. Claro ! Ele sorriu feliz pela resposta apelativa que tinha na ponta da língua. Então vou " comer o seu cú" . Pensarei nisso todos os dias da minha vida e a lei da atração funcionará. E eu : Você nunca chegará nem perto de meu ânus. Assim a lei se anula.
Após os momentos apelativos de provocação e estímulo á discussão concluimos que a lei da atração funciona ativamente para pessoas flexíveis e menos convencionais, que acreditam que o que aconteceu realmente era o melhor e o que tinha que acontecer. Ou seja, é uma grande besteira. Mas não deixem de pensar positivo, isso só ajuda, sempre.
E não me perguntem porque , pessoas que pensam negativamente, sempre acham que tudo vai dar errado sempre se fodem.


1:16 PM

Comments: Domingo, Outubro 07, 2007
O que eu indico dos meus programas do final de semana

Chorinho

Direção - Marcos Loureiro e Fauzi Arapi



Propriedade Privada



4:37 PM

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Vamos tirar férias de lagarto?

Cada um da minha geração, e acredito que também na seguinte, criou um Sítio do Pica Pau Amarelo particular nos nossos quintais ou arredores da cidade - quando a periferia ficava na esquina - ou em chácaras de amigos ou parentes. Quintais já foram o mundo da fantasia e do encantamento. Neles havia árvores, grama, horta, galinheiro, tanque de água para os patos (evidentemente, a fiscalização sanitária fez sua intervenção, era preciso), um monte de pedras,..., telheiros de zinco... O mundo dos quintais desapareceu, cedeu lugar a cimentados, lajotados, pisos de cacos de cerâmica. Abriu-se o sagrado espaço para o carro.
Hoje, crianças brincam no interior dos apartamentos com acessórios eletrônicos, internets, googles, celulares, videogames, iPods e derivados que as colocam em comunicação umas com as outras e com o mundo. Ou não? Como é hoje a relação crianças-natureza? Ainda existe o pé no chão, o caco de vidro, o prego no calcanhar, o espinho na mão, o barro na roupa? Ou estou falando de Idade Média? Gostaria de ter mais dados para avaliar como a criança de hoje mergulha no mundo de Monteiro Lobato.
...

Lobato escreve sobre uma coisa maravilhosa, as férias-de-lagarto, invenção que viria a calhar nesses tempos de excesso de trabalho, muita velocidade, muitas reuniões, compromissos, almoços de negócios, expedientes prolongados, ausência de fins de semana e férias, e etc. e tal, que acabam provocando o maior estresse. No sítio do Pica Pau Amarelo, no mês de abril, tudo parava. Ninguém fazia nada. Ficavam todos cochilando ao sol, como lagartos. Fazer nada era modo de dizer, ficavam vivendo. Dizia Dona Benta, a avó mais incrível de todos os tempos, que " a maior parte da vida nós passamos entretidos em tanta coisa, a fazer isto e aquilo, a pular daqui para ali, que não temos tempo de gozar o prazer de viver. Vamos vivendo sem prestar atenção na vida e, portanto, sem gozar o prazer de viver imóvel á moda dos lagartos" Sem sequer, olhem lá, pensar!
Sim, Dona Benta! Essas pessoas que carregam o tempo inteiro laptops debaixo dos braços, que têm quatro celulares, palmtops, que estão em constante comunicação com a empresa, o escritório, o cliente, o patrão, o mundo, o universo, o inferno, sim, essas pessoas precisam de férias-de-lagarto.
Mas não ficariam inquietas, ansiosas, nervosas, neuróticas?

Trecho da coluna de Ignácio de Loyola Brandão no Caderno 2 , O Estado de São Paulo, sexta-feira, 05 de outubro

Serviu a carapuça? Cuidado...


4:30 PM

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